FELIZ ANO NOVO!

Fechou a porta.
E parou para ouvir, por um minuto. Os sons se tornavam mais vagos; os queixumes, os soluços, quase já não se ouviam, através da porta fechada. Seria assim, tão fácil, deixar as amarguras para trás? Só fechar uma porta?
Mais um minuto. E percebeu que também já não ouvia os risos, as frases alegres. Então era assim? Renunciar às dores do passado seria, também, renunciar às passadas alegrias?
Deteve-se, por um instante a mais. Porém o empurrão do tempo o fez seguir adiante, pelo corredor, cujo comprimento se ocultava nas sombras do desconhecido.
Abriu a porta seguinte; que talvez fechasse em breve, se assim o destino lhe permitisse.
E, mais uma vez, foi recebido pelas trombetas da esperança, ao penetrar na sala, onde risos e lágrimas se faziam ouvir, entre a neblina do futuro, que a tudo encobria...