DE PINTOS E COLETIVOS

Vejo, na Internet, que foram criados vagões exclusivos para mulheres, nos metrôs e trens, por iniciativa de um nobre deputado, cujo nome não recordo.
Acho esta medida tão importante quanto o projeto da ilustre excelência Ângela Guaxinin (mais conhecida como a rumbeira da pizza), que proibiu garotas de biquini em comerciais de cerveja... talvez por medo da concorrência.
Até onde sei, a medida visa evitar aquelas roçadinhas nas mulheres, aproveitando os coletivos lotados. É uma prática antiga e, realmente, muito difundida. Aqui, na Bahia, tem até um nome próprio: “fazer terra”.
Pessoalmente, nunca fui chegado. Não tenho a imaginação necessária para gozar apenas me esfregando (vestido) numa bunda (também vestida) à minha frente. Principalmente, porque sempre há o risco de haver um cara, atrás de mim, que seja chegado em bunda de homem e aí vai ser problema! A esfregação não ocorre apenas de um lado.
Portanto, não represento perigo para as mulheres... ao menos em coletivos; nos quais, aliás, dificilmente trafego. Um dos poucos luxos aos quais me dou é fazer questão de rodar no meu carrinho (bem) usado.
Sei, entretanto, que muitos caras fazem isto. Normalmente pessoas mal resolvidas, sem vida sexual ativa, que aproveitam a chance para uma masturbação imaginária.
Porém, pergunto, a solução é separar homens e mulheres? Ou isto equivale apenas a um atestado de bestialidade para o ser humano? Separam-se animais, nos criatórios, quando não se quer que a cópula ocorra. Mas seres humanos, em transportes coletivos?
Realmente, não é por aí. Isto é mais ou menos como cortar o bilau do cara, em vez de ensiná-lo a usar camisinha, para evitar filhos e (principalmente!) AIDS. Esta não é a solução.
Como sempre, a resposta está na educação; na cidadania. Em conscientizar o povo, para que respeitem os direitos alheios, se querem ser respeitados. Os caras precisam lembrar que as suas esposas, filhas, mães e irmãs também têm bundas; e bem chamativas, em alguns casos. Se todos mantiverem os pintos quietos, nenhuma delas será molestada.
Esta é a solução. E não é preciso ser deputado, para ver isto.
Basta saber controlar o próprio pinto...
Para a ilustração, adaptei um antigo desenho do meu amigo Paulinho Couto.