4.25.2006

LAMPIÃO E OS SEM TERRA


Não sei se ainda se usa a expressão popular “meter-se em camisa de cem varas”. Era o equivalente a “entrar em fria”, “arranjar sarna pra se coçar” e outras mais.

Entretanto é ela que me vem à mente, quando começo esta postagem. Sei que é um assunto polêmico e não faltará quem diga que sou contra os pobres; o que, aliás, será uma grande injustiça, porque é exatamente nesta numerosa e sofrida classe que me incluo, ao menos pelos meus parâmetros.

Sou, sim, contra a bagunça, o desrespeito, o roubo e a violência. É por isto que não entendo o beneplácito do governo para com o MST. Dizem-me que é o único movimento do gênero, no mundo, e acredito; em qualquer outro país, ele não seria tolerado.

Uma coisa é lutar contra a fome e defender a reforma agrária. Outra coisa, bem diferente, é invadir terras à força e com apoio de armas, ferindo pessoas e roubando (desculpem, mas a palavra é esta) os bens de cidadãos ou empresas que respeitam as leis e pagam seus tributos, merecendo, portanto, a defesa do governo que os recebe.

Deixem-me recorrer ao exagero, para explicar a linha de raciocínio. Seria justo que houvesse o Movimento dos Sem Rango, para saquear os supermercados? Ou o Movimento dos Sem Dinheiro, para saquear as caixas-fortes dos bancos? Ou, pior ainda, o Movimento dos Sem Xoxota, para invadir as casas dos cidadãos e comer as suas esposas e filhas?

Ninguém consegue imaginar isto, não é? Então, como apoiar a espoliação de fazendas, de onde saem os produtos agrícolas que todos nós consumimos? Alguém, por favor, me dê uma boa razão para isto! Uma razão que não seja política (já que os sem terra também votam); ou econômica, pois desconfio que role um dinheirinho por debaixo do pano, para que os órgãos públicos façam vistas grossas.

No meu tempo de estudante, por muito menos do que isto (apenas protestos pacíficos), tomamos porrada da polícia e do exército; até cachorros soltaram contra nós e muitos amargamos prisões. O que mudou? Não me venham dizer que é evolução da nossa democracia; para mim, isto parece muito mais anarquia, com todas as letras e no sentido exato do termo.

Muitos anos atrás, revoltado com a exploração dos poderosos, Lampião formou o seu bando de cangaceiros e percorreu o nordeste, tomando à força o que queria. Ficou marcado como um bandido sanguinário; contra ele foram enviadas as forças da legalidade, sem descanso, até que o viram morto.

Por uma questão de coerência, o mesmo governo que tolera (e até protege) esse movimento, deveria reabilitar a memória de Virgulino Ferreira da Silva; torná-lo um herói nacional e reconhecer o seu pioneirismo.

Porque, para mim, Lampião foi o precursor dos Sem Terra!



Foto do banco de imagens do Google. Dá pra dizer que qualquer semelhança é mera coincidência?

6 Comments:

Anonymous Anônimo said...

Flávio, movimento dos sem xoxota??? Nem dá pra fazer idéia? Já pensou se a moda pega? rsrsrsrsrs. Mas, é isso mesmo. Pior, que fiquei sabendo; as pessoas que se dizem integrantes desse movimento, muitas apenas, são testas de ferro de quem nem precisa. Não sei se tem fundamento.

1:31 PM  
Blogger Flávio said...

Anônimo, pois é... já pensou? Mas a idéia foi, mesmo, exagerar, para mostrar o absurdo que é ursupar o que é dos outros. Qto a essa teoria de testas de ferro, não duvido nada; é assim que acontece em muitas favelas.

10:58 PM  
Anonymous Júnior said...

Flávio, há pouco tempo fiz uma pesquisa sobre Lampião para a faculdade. O jagunção realmente não era mole.

12:44 PM  
Anonymous Rappha said...

Lampião como pioneiro do MST? Ideia polêmica, mas texto como sempre bem desenvolvido.

3:02 PM  
Blogger Flávio said...

Júnior, realmente é um tema interessante para pesquisa. O fato é que ele marcou época aqui no faminto nordeste brasileiro.

9:38 PM  
Blogger Flávio said...

Rappha, concordo que a idéia é bem polêmica... e agradeço sua opinião sobre o texto! ;)

9:39 PM  

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