O BÊBADO E OS EQUILIBRISTAS

Esta semana, aliás, foram duas. A primeira: dizer que o mensalão virou refrão de música. Taí... até que virou, mesmo; mas a música é o Hino da Corrupção, cantado em coro por políticos e assessores de todo o Brasil. É uma música que tem feito o povo dançar... no mau sentido. Ao contrário das músicas da Ivete Sangalo.
A segunda, foi comparar o Palocci ao Ronaldinho Gaúcho. Putaquepariu, essa foi demais! Daqui a pouco, o Lula Lelé vai se comparar ao Wanderley Luxemburgo... e essa até que seria uma comparação mais válida, pois o Wanderley vem afundando o supertime do Real (que tinha tudo pra dar certo) e a sua popularidade está cada vez mais baixa. Como a do presidente, ex-futuro-Salvador da Pátria; o que deixou de ser, sem nunca ter sido.
O que pode haver de comum entre Ronaldinho e Palocci? A aparência, com certeza não é; nem a cultura. Nem o salário, porque o do ministro é (oficialmente, claro) muito menor que o do craque do barça. Pois é: já estamos até dando apelidos aos times estrangeiros, como fazemos com os brasileiros. É uma intimidade gerada pela TV, e pela exportação de nossos melhores jogadores.
Então, persiste a pergunta. Será que a semelhança está na habilidade dos dribles? E a quem o Palocci dribla? Às CPIs idiotas, às ministras que querem aparecer, aos empresários que reclamam juros mais baixos... ou à própria incompetência do governo, onde parece ser o único que sabe o que faz?
Porque a verdade é esta: o Palocci é a última trincheira de Lula. É um dos poucos em quem o povo ainda confia; o maior responsável pelas (poucas) coisas boas que o governo do PT está conseguindo fazer. Ele é sério, competente, comedido. Não sei se também é honesto, mas convenhamos: aí já seria pedir demais!
Se o Palocci cair, o Lula Lelé ta fudido! Desculpem o palavrão, mas não conheço nenhuma palavra que defina melhor a situação do presidente “Eu não sabia de nada”, sem o único ministro que sabe das coisas.
Talvez seja por isto que o Lula compara o Palocci ao Ronaldinho: ele é a esperança do técnico incompetente a quem entregamos o comando deste time chamado Brasil.
Mas há outra pergunta incômoda: O Ronaldinho é muito bom, tanto jogando como fazendo malabarismos com a bola, como mostrou num comercial recente; é o melhor do mundo, o que não podemos afirmar do Palocci. Mas nem ele ganha um jogo sozinho. E pior: ainda leva a maior parte da culpa pelas derrotas.
Por analogia, o Palocci que se cuide. Há um cheiro de fritura no ar...