O PAU DE BOSTA E A LEI IDIOTA

E acredito que é isto que estou fazendo, ao escolher o tema de hoje; tenho certeza que as reclamações virão, inclusive de dentro da própria família. Mas, convenhamos, se isto me assustasse, eu não teria criado o Opiniaum; nem seria fiel a ele, se não dissesse o que acho do assunto.
Então, vamos lá: pelo que vi na TV, parece que a nova lei sobre beber e dirigir é, não diria draconiana, mas perfeitamente idiota. Pela primeira vez na vida, sinto vontade de apoiar o anarquismo; a absoluta não intervenção do Estado na vida do cidadão.
Dizem que o brasileiro só fecha a porta depois de roubado. E eu acrescento: não contente em fechar, coloca 46 trancas e fechaduras, de tal modo que ele mesmo tem dificuldades para entrar em casa. É uma síndrome nossa.
Claro está: não sou a favor de bêbados dirigindo, causando acidentes e matando pessoas. Mas, pergunto: a pessoa, o adulto responsável que bebe uma cerveja, perde a capacidade de dirigir? Torna-se uma ameaça pública?
Porque, repito, pelo que vi na TV, basta o cidadão de bem tomar uma cervejinha e ter o azar de cair numa blitz, para ir em cana como se marginal fosse. Enquanto os verdadeiros marginais continuam soltos, cada vez mais audaciosos.
Isso é justo? O mesmo cidadão que paga seus impostos, sustenta sua família e dá 5/12 do seu salário para sustentar os políticos, responsáveis por mais esta lei idiota. Até porque políticos não dirigem: têm motoristas. Que nós pagamos.
Ou seja: já não se pode mais ir à praia, num domingo, e beber duas cervejinhas, com a família e os amigos. Ou ir a um aniversário, a menos que seja de criança e sirva apenas refrigerantes. Aliás, nem se pode usar anti-séptico bucal, ou comer dois bombons de licor... a cadeia espreita.
Volto a dizer: jamais farei apologia a dirigir bêbado, até porque é um crime contra a vida. Mas, como reza o provérbio, est modus in rebus; o que, aliás, nada tem a ver com rabos. A virtude está no meio, nunca nos extremos; tão ruim como a liberdade absoluta, é a coerção exagerada.
Em poucos dias, completo 60 anos de vida; 34 de CNH. Já houve ocasiões em que bebi demais, sim, e numa delas quase morro, inclusive. Hoje, muito menos atirado e mais prudente, sei que as duas ou três cervejinhas que bebo não representam risco algum a quem estiver comigo no carro que dirijo; se pensasse diferente, eu seria o primeiro a não beber.
Há muitos irresponsáveis? Concordo. Deve-se restringir o consumo de álcool? Concordo. Mas por que não limitá-lo a um patamar inteligente, que as pessoas possam realmente respeitar? Condene-se por crime doloso, sim, a quem se envolver em um acidente e estiver embriagado. É mais do que justo. Mas não se trate o cidadão como criminoso, por dois copos de cerveja.
Estou advogando em causa própria? Talvez. A verdade é que posso ser preso qualquer dia, embora provavelmente beba muito menos que o Lula.
Eu não posso ter motorista.
UPGRADE, EM 01/07/2008 : Amigos, sintam-se à vontade para discordar; até porque o nosso objetivo, aqui, sempre foi este: que cada um dê a sua opinião, sem que ninguém se aborreça. Só faço questão de deixar bem claro: não sou contra a proibição de beber, mas contra o limite imposto. É o exagero que acho idiota; como todo exagero, aliás.