2.12.2007

DA MENTIRA, DO MEDO E DO PERDÃO


A mentira não é a negação da verdade, apenas o seu adiamento.

Como a nuvem de chuva não apaga o brilho do sol, apenas o oculta por um instante.

A mentira não é natural em nós. E nasce, sobretudo, do medo; na raiz de cada mentira, existe o desejo de escapar a um sofrimento. Assim a mentira é, antes de tudo, inútil: por que adiar o sofrimento de hoje, para recebê-lo em dobro amanhã?

Entretanto, é assim que somos: vivemos o hoje, e o amanhã se nos afigura como um porto distante, ao qual não necessitaremos chegar. Porque o futuro nos aparece entre a névoa das esperanças, como o passado se perde na neblina do esquecimento.

Aquele que mente, confia no tempo para consertar o seu erro; como o beduíno imprevidente confia em encontrar um oásis, antes que a sede ponha fim à sua vida. Todavia, o tempo não acoberta os nossos erros; como os oásis não surgem por milagre no deserto.

Assim, mais sábio seria a um não haver errado; e ao outro ter enchido o seu cantil, antes de iniciar a jornada. Porém não somos sábios, mas homens; cabe, portanto, ao mentiroso reconhecer o seu erro, e ao beduíno esmolar um pouco de água da caravana que encontra em seu caminho.

Um e outro dependerão da caridade alheia, para obter o que precisam. E, em verdade, é mais fácil para o homem dar um pouco de sua água, do que conceder o seu perdão. Preferimos dar do que possuímos, a ceder de nossos sentimentos e convicções.

Por isto, é maior a hesitação do mentiroso. E, como após a primeira gota desaba a chuva torrencial, a cada minuto julga necessária uma nova mentira; até terminar como a aranha incauta, que se vê presa na própria teia. Então, só a luz da verdade poderá libertá-lo; e será ainda maior o sofrimento que tentou evitar.

É o medo, e não o erro, o que causa a mentira; porém, é no próprio medo que reside o maior castigo pelo erro que se possa ter cometido. Aquele que se entrega à mentira, entrega-se ao medo; ao acalentar o medo de ser descoberto, sacrifica a própria paz. E que castigo pior pode haver, para o homem, do que se afastar do seu Eu maior?

Precisamos assumir os nossos erros, e aceitar os sofrimentos que nos possam trazer; é assim, que podemos libertar-nos do medo.

Entretanto, isto não basta para afastar-nos da mentira: precisamos exercitar a tolerância, para que possamos perdoar os erros dos nossos irmãos. Porque, quanto mais medo infundirmos aos que nos cercam, mais mentiras ouviremos. Ou não são os mais intolerantes, os mesmos que mais se queixam das mentiras?

Aquele que busca a Verdade, deve exercitar a humildade e a tolerância: a humildade, para saber que todos erramos; e a tolerância, para compreender os erros de outrem.

Sejamos tolerantes, e ninguém mentirá para nós. É a Verdade, e não a mentira, que encontra guarida no coração do Universo, onde reside o nosso Eu maior.

A mentira não é natural no ser humano. Ninguém irá mentir, se souber que o seu erro encontrará o refrigério da compreensão, e a libertação do perdão.

Um dia, o medo e a mentira serão banidos dentre nós.

E neste dia o Amor existirá, realmente, em nossos corações!

6 Comments:

Blogger Paulinho said...

Velhão, estou com saudades. Beijão.

5:34 PM  
Blogger Flávio said...

Aparece, oras... eu não mudei de casa ainda! :) E, por falar em "velhão"... como vai o gordinho de Ubaíra? :) Bjs

11:09 AM  
Blogger Jéssica said...

O que faço com a minha saudade?
Beijossssss

8:35 PM  
Blogger Flávio said...

Jess, não vai durar muito... tou voltando! :) Tb sinto saudade de vcs, oras! ;) Bjs

12:29 AM  
Anonymous Anônimo said...

...poxaaa... suas palavras me fizeram refletir e tomar a decisão sábia... falar a verdade a arcar com o que vier. Mas, não é fácil tomar essa decisão.Porém se faz mais q urgentee. Mentindo - Nos machucamos e machucamos aos outros. Obrigada.

Rio, JJM

7:57 PM  
Anonymous Regina said...

Assim Seja meu amigo , obrigada !

12:46 PM  

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