1.12.2007

VERDADES SOBRE O BARCO E A VIDA


Decidimos o rumo das nossas próprias vidas.

Como o barqueiro, que não tem poderes sobre o vento e, entretanto, determina o rumo do seu barco, ao posicionar as suas velas.

A todos os dias, em nossas vidas, o destino coloca novas escolhas. E cada escolha que fazemos é como virar uma esquina, que nos leva a outro caminho. Assim, se não podemos comandar os ventos do destino, devemos colocar as nossas velas no rumo da felicidade.

Sempre, a escolha é nossa. E, se somos os responsáveis por nossas próprias escolhas, que justiça existe em culpar a outrem pelos seus resultados? Aquele que escolhe o caminho precisa aceitar as suas pedras, se pretende concluir a jornada. Nenhum mérito existe na realização, sem o trabalho que a tornou possível.

As lágrimas e os sorrisos são os frutos das sementes que plantamos.

Precisamos aprender esta verdade, para que possamos escolher os nossos frutos.

Entretanto, não é assim que fazemos. E, quando sobrevêm as amarguras, não buscamos o consolo da resignação, mas sim a intranqüilidade da revolta. Como o viajante fatigado, que despreza o repouso do leito, pela exasperação com as dificuldades da caminhada diurna.

Vivemos o hoje, como se o amanhã não fosse existir. E esquecemos que o nosso hoje é apenas o futuro de ontem, e será o passado de amanhã. O hoje é o que ontem fizemos, e o amanhã será o que hoje dele fizermos.

Ao nos revoltarmos, pelo sofrimento de hoje, muitas vezes estamos construindo a mágoa do amanhã. As atitudes insensatas, que a revolta nos sugere, podem gerar os espinhos que, amanhã, irão ferir mais profundamente a nossa alma.

A verdade é que sempre buscamos culpados, para as adversidades que nos visitam. O orgulho nos impede de ver que criamos as nossas próprias armadilhas, e nada é mais natural do que nelas cairmos.

Ninguém existe, entre nós, que seja inteiramente inocente; a vítima de hoje é o culpado de ontem, e na raiz de cada sofrimento existe um erro cometido. E isto não acontece por vingança divina, mas porque assim é a Lei do Aprendizado.

Aprender a viver, é como aprender a andar: é preciso cair muitas vezes, para atingir o conhecimento do equilíbrio. Entretanto, a criança que cai não busca culpados pela queda: apenas se levanta e, um pouco mais sábia, volta a ensaiar os seus passos; por isto, é mais curto o seu aprendizado.

Esta é a humildade que nos falta. A humildade de assumir os nossos erros, para que não os vejamos como fontes de vergonha, mas como fontes de conhecimento. Pois não é através da vergonha que aprendemos, mas da compreensão.

Afinal, se são nossas as escolhas, que direito nos cabe de reclamar a outrem pelos seus resultados? E, todavia, muitos são aqueles que se queixam do Pai por seus sofrimentos, quando deveriam agradecer-Lhe pelas escolhas que colocou em seus caminhos.

Orgulho e intolerância: eis as causas da maior parte das nossas angústias. Na raiz do fim de um amor, existe o orgulho de julgar-se melhor que o outro e a intolerância de não perdoar as suas falhas. Como, na raiz de cada frustração, existe o orgulho de considerar-se merecedor de atingir um objetivo, e a intolerância de revoltar-se porque este não lhe foi concedido.

Entre os ventos do destino, podemos decidir o rumo das nossas vidas.

Mas é preciso ter a humildade da criança, para alcançar a sabedoria do barqueiro.


(Não; eu não resolvi me tornar guru da auto-ajuda, nem me filiei a alguma nova igreja. Na realidade, este texto complementa o do post anterior; por isto, resolvi publicá-lo. Semana que vem, a irreverência estará de volta!)

6 Comments:

Blogger Eduardo Inácio said...

Olá Flávio!

Estou passando aqui pra te dizer que mudei DE NOVO o nome do blog. Acho que esse deveser uma mal crônico de blogueiro em início de carreira. Mas tudo bem... Visite-me quando puder,ok?

6:57 AM  
Blogger Flávio said...

Eduardo, já fui lá! Gostei... e registrei isso: gosto de como vc escreve. Mas, mesmo que vc se zangue comigo, vou dar a minha opiniaum: eu manteria o nome o templo do caum! :) Abração, pense nisto... ;)

10:07 PM  
Anonymous Enoisa said...

Flávio, sai das férias do blog hoje para ajudar a Grace. Dá uma passadinha no Oficina, tá? Li o texto e pode acreditar, essas percepções sobre a vida a gente encontra todas estudando filosofia. Muitos filósofos, procurando compreender o homem, descrevem situações humanas possíveis. Os livros de auto-ajuda são somente recortes de vários filósofos que, raramente, são citados. As religiões também buscam explicar o mundo aos homens. Taí a semelhança dos textos. Tudo isso prá dizer que ocê anda mesmo é filosofando!!! rsrsrsrsrs Menina besta eu sou, né? rsrsrsrsrs Beijos!!

6:27 PM  
Blogger Flávio said...

Enoísa, bom te ver de volta!!! Eu, realmente, tenho uma certa queda para a filosofia... o que falta é competência! Agora, vc não tem nada de menina besta... tá mais pra filósofa! ;) Bjs

7:37 PM  
Anonymous Kellyn said...

adorei o texto....continue assim, q é sempre muito bom entrar no seu blog e ler tudo que escreves...

2:42 PM  
Blogger Flávio said...

Kellyn, brigadão. Apareça sempre... continuarei tentando merecer a companhia de vcs! :)

1:13 AM  

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