8.25.2006

PARA PENSAR


O texto e a carta abaixo, não são de minha autoria. Eu os recebi por e-mail, com um pedido de divulgação. E acho que vale a pena divulgar, assim como estão; sem uma palavra minha. Desta vez, não vou dar a minha opiniaum.

Mas espero conhecer a de vocês.
* * *
Esta carta retrata a realidade que estamos vivenciando: uma inversão de valores, que busca transformar as vítimas em criminosos, transformando os criminosos em vítimas da sociedade.

É possível que alguns, realmente, não tenham tido escolha. Mas a maioria, com certeza, a teve. Pense um pouco: como tantos conseguem viver digna e honestamente, longe da marginalidade?

A maioria pode, sim, escolher o caminho a seguir. Uns escolhem o caminho mais fácil e caem na marginalidade; outros ficam com o mais difícil e trabalham para construir uma vida melhor, mesmo com toda a dificuldade de hoje.


A escolha é um direito de cada um e a ele cabe arcar com as conseqüências.

Leiam o texto abaixo e pensem.


DE MÃE PARA MÃE


Eu sou a Maria de Lourdes, não sei se você me conhece. Conheço você de vista, das ruas da favela onde moramos. Às vezes, também, eu via seu filho passar, a caminho de uma boca de fumo que fica duas ruas depois da em que eu moro.

Hoje vi seu enérgico protesto, diante das câmeras de televisão, contra a transferência do seu filho, “menor infrator”, das dependências da FEBEM em São Paulo, para outra dependência da FEBEM, no interior do Estado.

Vi você se queixando da distância que agora a separa do seu filho, das dificuldades e das despesas que passou a ter para visitá-lo, bem como de outros inconvenientes decorrentes da transferência.

Vi, também, toda a cobertura que a mídia deu para o fato; assim como vi que você e outras mães, na mesma situação, contam com o apoio de comissões, pastorais, órgãos e entidades de defesa de direitos humanos. Achei emocionante a demonstração de solidariedade e amor ao próximo.

Eu também sou mãe e, assim, bem posso compreender o seu protesto. Quero, inclusive, fazer coro com ele; entendo bem o seu sofrimento. Enorme distância me separa do meu filho! Trabalhando e ganhando pouco, também são muitas as dificuldades e as despesas que tenho para visitá-lo.

Com muito sacrifício, só posso fazê-lo aos domingos; preciso labutar, inclusive aos sábados, para auxiliar no sustento e educação do resto da família. Felizmente conto com o meu inseparável companheiro, que desempenha, para mim, importante papel de amigo e conselheiro espiritual; sem ele, não sei como estaria.

Sou a mãe daquele jovem que o seu filho matou estupidamente num assalto a uma vídeo-locadora, onde ele, meu filho, trabalhava durante o dia, para pagar os estudos à noite.

No próximo domingo, quando você estiver abraçando, beijando e acariciando o seu filho, eu estarei visitando o meu e depositando flores no seu humilde túmulo, num cemitério da periferia de São Paulo...

E, mesmo ganhando pouco e sustentando a casa, ainda estarei, como o resto do povo, pagando de novo o colchão que seu querido filho queimou, lá na última rebelião da FEBEM.

Você e seu filho são vítimas. Eu entendo o seu sofrimento.

Espero que você entenda o meu.

23 Comments:

Anonymous Anônimo said...

Ta difícil viu? Aonde vamos parar? Estamos cada vez mais aprisionados, enquanto a malandragem fica solta pelas ruas. Ontem a noite presenciamos um assalto bem na frente do prédio que moro. Uma mulher tinha acabado de encostar o carro e rapidamente ficou sem ele. Ouvimos um tiro, (que felizmente) não pegou em ninguém. Tudo muito rápido e só chamou atenção das pessoas pelo estampido. Eu não penso em pena de morte, mas algo tem que ser feito pra dar um freio nessa escalada violenta.

11:50 PM  
Blogger Flávio said...

Anônimo, este é o ponto. Mas vou-me controlar, para não dar a minha opinião agora; quero a de vcs. Voltarei ao assunto em próximos posts.

12:05 AM  
Blogger Rita Contreiras said...

Só enxergo vítimas nessa história. Um filho que comete um crime é também um filho morto.O mais lamentável é quando vamos buscando os porquês de tudo isso e vemos o quanto somos filhos orfãos, sem proteção, sem respeito, sem compromisso por parte dos nossos governantes. Não nos cabe julgar qual sofrimento é maior: o da mãe de quem matou ou o da mãe do que morreu. Ambas lidam com uma perda irreparável. Ah, deixei um recado de hoje, dia 26/08 pra vc no post anterior. Abraço.

9:38 AM  
Blogger Flávio said...

Isso, Rita: não há perda maior ou menor, já que ambas perderam os filhos. Mas, como já disse, hj tento não opinar. Recebi o recado,obrigado e bomn fim de semana. Abração.

9:59 AM  
Anonymous Serbon said...

off topic -
missão cumprida, Flavio,meu blog está devidamente 'etiquetado'.
;)

sobre o post, eu me abstenho de opinar...

11:38 AM  
Anonymous Serbon said...

saiu em dobro, eta sistema de comments maluco! apaga um, please!!!!

11:39 AM  
Blogger Flávio said...

Serbon, mano, já apaguei... percebeu? :) Qt à etiqueta, tks... em meu nome e tb do Júnior! ;)

6:01 PM  
Anonymous Cissa said...

nossa.. difícil esse texto. mais difícil dar opinião. sobre ele e sobre tanta coisa que acontece nesse mundo.
é tudo muito doido pro meu gosto.

10:56 PM  
Blogger Flávio said...

Cissa, pro de todos nós! Por isto, que prefiro não comentar... espero vcs!

1:28 AM  
Anonymous Rappha said...

Professor, difícil opinar sobre uma coisas dessas. Melhor seria que nada disso existisse.

2:04 AM  
Anonymous cilene said...

T acomplicado...eu nem entendo essa situacao..e nem sei o que dizer...

9:05 AM  
Blogger Flávio said...

Rappha, com certeza seria. Mas é uma situação que existe; o ponto é saber o que fazer, para melhorar as coisas.

6:07 PM  
Blogger Flávio said...

Cilene, não se preocupe; eu entendo... e é difícil, mesmo.

6:08 PM  
Blogger superjG said...

me mandaram um emaio dessa carta, é muito boa mesmo. interessante que é o segundo blog que eu comento hoje que o assunto é violência...

eu não concordo com pena de morte, porque não se cura uma ferida enfiando a faca mais fundo...

mas eu acredito na humanização do sistema presidiário, na melhoria da correção e na ressocialização do criminoso

6:50 PM  
Anonymous Anônimo said...

Essa, como várias outras cartas semelhantes, estão na internet... ''andam'' de caixa em caixa, às vezes com alguns comentários, outras vezes sem nada...
A esperança que se percebe em cada texto desses é, em algum momento, encontrar quem possa fazer alguma coisa por um sistema de correção falido e que, ao invés de ajudar a melhorar, cria mais monstros.
Só que fica dificil acreditar em mudanças, quando a gente vê que os que têm por obrigação fazê-las, estão preocupados em ligar sirenes de ambulâncias, ou buzinas de ônibus, ou ... ou.... ou....
Sonhar continua não sendo proibido e nem pagando imposto (pelo menos por enquanto)

12:25 AM  
Blogger Cristiano Contreiras said...

O Mundo absurdamente nos decepciona com tamanhas insanidades...violências..há, bem verdade, vítimas e culpados...não cabe a nós sempre julgar.

abração

1:18 AM  
Blogger luma said...

Essa peteca parece uma bola quente. Ninguém segura!!
Os políticos também foram criados por mulheres.
Compadeço da mãe que perdeu o filho injustamente.
Boa semana! Beijus

9:59 AM  
Blogger Flávio said...

super, uma coisa é certa: algo tem que ser feito, antes que já não haja retorno possível...

6:20 PM  
Blogger Flávio said...

anônimo, creio que vc tem razão. Na raiz de cada texto destes, existe a esperança de que alguém possa mudar algo...

6:22 PM  
Blogger Flávio said...

Cristiano, isto é o mais difícil: não julgar. Entretanto, é preciso, pois não sabemos onde pode cair o próximo raio...

6:24 PM  
Blogger Flávio said...

Luma, verdade: todos nós somos criados por mulheres. E talvez por isso, elas sejam as pessoas mais sofridas. Boa semana pra vc, tb! Bjs

6:30 PM  
Anonymous Lourdinha said...

Pela primeira vez, postei um comentário e, embora marcando a opção ''outro'' e indicando a identidade... saiu como anônimo.
O comentário sobre a ''andança'' desses termos na internet, Flavio, foi feito por mim... agora, devidamente identificado.
Beijins

10:20 PM  
Blogger Flávio said...

Lourdinha, vendo a coisa pelo lado bom... pelo menos falei com vc duas vezes! :)

12:49 AM  

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