7.01.2006

COMENTANDO O FRACASSO


Agora que a raiva já passou um pouco, talvez dê pra comentar o fiasco da seleção.

E a primeira dolorosa verdade é que Zidane, realmente, joga muito; mas a França não é lá esses balaios. Jogou mal em todas as partidas (sim, hoje inclusive) e quase não passa para a segunda fase.

Com exceção da Espanha, que se empolgou nos contra-ataques e abriu a porteira, a França não faz gol em ninguém. Hoje, contra o Brasil, a única bola chutada em gol foi aquela que entrou; assim mesmo, porque Roberto Carlos estava arrumando a meia e largou o atacante sem marcação.

Mas, também, não é justo culpar o Roberto pela eliminação. Se formos livrar alguém do pântano de merda que o time foi hoje, tiremos o Lúcio, o Juan, o Dida (que não trabalhou, mas também não complicou); mais o Robinho e o Cicinho, que entraram e mostraram serviço, embora também não muito.

O resto... pode fechar a boca do saco e jogar no pântano; e, por favor, coloquem o Parreira bem em baixo, para que ele não consiga sair e voltar. O Zagallo não tem mais perigo e, aliás, ele é um dos poucos da comitiva que tem amor à camisa canarinho.

Hoje, li na Internet um fato curioso: de toda a delegação, só dois jogadores vão voltar ao Brasil: Rogério Ceni e Mineiro. Todos os outros vão ficar mesmo na Europa, nos times onde jogam. Porque nenhum deles mora aqui.

Isto, talvez, explique em parte o fracasso. Ou, pelo menos, a falta de garra; a falta de interesse em defender o nome do Brasil. A verdade é que fomos campeões, com sangue e talento, em 1958, 1962 e 1970, com jogadores de clubes brasileiros.

Depois que começou o êxodo, é bem verdade que ganhamos em 1994 e 2002. Mas, para isto, precisamos de Romário jogando pra contrato (até na classificação) e de dois pênaltis perdidos pelos italianos; além, é claro, de eventuais ajudas no Japão, que até pareceram confirmar aquela teoria da conspiração que circulou na Internet, em 1998, vocês se lembram?

Fica, portanto, a minha sugestão: Vênus é a estrela mais brilhante, mas não é ela que faz a beleza do céu noturno, e sim os bilhões de pequeninos pontos luminosos; as outras estrelas, menos conhecidas, que enfeitam o firmamento.

Talvez seja hora de parar de chamar os super-craques internacionais, que ganham salários fabulosos e preservam as suas canelas milionárias; que dirigem Ferraris, vestem Armani e se casam em castelos, afastados da realidade de um simples e duro jogo de futebol, onde a técnica se alia à vontade de vencer.

Esses caras são talentosos, individualmente, mas não formam um time; até o Galvão Bueno sabe disto. Preservam seus egos, suas pernas, mas, acima de tudo, os seus nomes. Nenhum deles está disposto a dar um passe, em vez de chutar em gol; a brilhar menos, para que a equipe brilhe mais. Nem sequer têm muitas ocasiões de treinar em conjunto.

Talvez seja hora de voltar a fazer as seleções brasileiras com brasileiros; com jogadores que não apenas nasceram aqui, mas vivem aqui. Que ainda não enricaram, nem perderam a noção de pátria; que estão jogando por contratos melhores, por uma vida melhor. Que andem nas ruas, que conheçam os torcedores; para quem o público seja uma realidade, não apenas as vozes que aclamam os seus nomes.

Ah, e por favor... não deixem que o Parreira ou outros “técnicos de resultados” coloquem as suas patas nesse time!

Façam isto, e vamos ver o resultado...



Na foto, as expressões dispensam comentários...

26 Comments:

Anonymous Vanessa said...

Flavio, texto mravilhoso! Emocionante!!! Botou estilo e racionalidade em nossos pensamentos apaixonados e frutrados. Que na próxima, sejamos vencedores por merecimento e por amor a camisa.
Beijos,
Vanessa

11:03 PM  
Anonymous Renato Guimaraes said...

Flávio, muito bom mesmo o texto. Basta lembrar que as selecoes que estao seguindo adiante o estao fazendo na base da raca e da dedicacao. Exatamente o que falta às nossas "estrelas".
Um abraco,
Renato

11:05 PM  
Anonymous Anônimo said...

Flávio, esse texto dispensa qualquer comentário. Ele expressa também o meu sentimento.

11:08 PM  
Anonymous Gi said...

Olá, primeira vez que comento aqui. Acho que você tem razão, principalmente sobre o Zagallo. Abraços!

11:48 PM  
Blogger Cristiano Contreiras said...

ainda estou pasmo..sem ação;

a tristeza me invade.

12:01 AM  
Blogger Flávio said...

Obrigado, Vanessa. Acho que esse que você falou é, realmente, o jeito certo de vencer uma Copa... e merecer a nossa apaixonada torcida!

1:14 AM  
Blogger Flávio said...

Renato, obrigado. E você tem toda razão: a raça e a dedicação são, exatamente, os diferenciais das seleções que estão vencendo o "funil" da Copa. Máscara anima o carnaval, mas não ganha jogo! Obrigado pela visita, e apareça sempre.

1:19 AM  
Blogger Flávio said...

anônimo, acho que este é o sentimento que está em todos nós. Tudo bem que as "estrelas" não ganhassem, mas pelo menos tentassem. Daquele jeito, foi como trair a nossa confiança...

1:22 AM  
Blogger Flávio said...

Gi, obrigado. Receba as nossas boas-vindas e volte mais vezes! :) Qt ao Zagallo, esta é a qualidade que mais admiro nele; creio, mesmo, que é a maior responsável por ele ter-se tornado o único campeão de quatro copas!

1:30 AM  
Blogger Flávio said...

Cristiano, na verdade todos ainda estamos assim; a decepção foi brava! :( Mas passa... e talvez faça nascer uma nova mentalidade, que nos traga muitas novas vitórias. :)

1:33 AM  
Blogger Marco Aurélio said...

Flávio

Futebol se ganha no campo no final da partida e não com falatório antes dos jogos. Onde está o favoritismo? Quem acompanhou as eliminatórias sabe que este time era fraco mesmo. Com esta onda de que o importante é ganhar que o gavião bueno insistia em propagar só podia dar nisso mesmo. Ia ganhando empurrado de qualquer jeito e tudo bem. Voltaram para casa num voo da Varig!

Um abraço

Marco Aurélio

11:13 AM  
Anonymous Gui Laborda said...

Realmente, este foi o pior erro da Seleção brasileira. Escolheram estrelas ao invés de talentos. Quero dizer, eles são talentosos sim, mas, um dia chega o cansaço.

Quero parabenizá-lo pela boa análise do jogo de ontem. Você mostra domínio absoluto sobre o assunto em que trata e prova que não fala "merda" como determinados comentaristas televisivos.

Em breve voltarei para ler mais análises e comentários sobre temas futuros. Até lá!

11:20 AM  
Blogger Marcia said...

Flávio eu vou imprimir esse seu texto e grudar na porta do meu armário. Se daqui 4 anos a nova geração for como essa aí, eu vou me lembrar de nunca mais torcer para o Brasil nas copas.

você disse tudo!xtifo

12:20 PM  
Anonymous Anônimo said...

Marco Aurelio, você tá certo; faziam a maior festa, quando acertavam as finalizações e ganhavam de seleções inexpressivas. Mas sempre me questionava: Cadê o futebol? Ele agora faz parte de um passado cada vez mais distante. Haviam muitas estrelas pra pouco céu. Os saltos estavam muto altos e eles não conseguiram fazer nada com eles.
E o técnico? Dispensa qualquer comentário. Só a cara de apatia e de inércia sentado no banco, como poderia passar força e espírito de luta pra os jogadores?

12:25 PM  
Anonymous Serbon said...

Flavio, o lance do Roberto Carlos me deixou em dúvida. É que arrumar a meia é um dos código dos boleiros pra armar alinha burra, para deixar o adversário em impedimento.

Só que ninguém saiu, nem acompanhou o Henry.

Eu vim ouvindo a Jovem Pan hoje, antes de vir pro trabalho(tô de plantão), e o Cesar Sampaio falava justamente isso. O pessoal na rádio também tinha a dúvida, porque geralmente não é o lateral quem comanda a linha burra - esse papel é do líbero(quando joga no 3-5-2), ou de um dos zagueiros.

Enfim,o que sabemos é que não deu certo...

5:02 PM  
Anonymous Serbon said...

...e bateu uma saudade do Felipão, hein???

8:07 PM  
Blogger Flávio said...

Marco Aurélio, vc ta certíssimo! Apesar de ter jogadores individualmente famosos, como time esta seleção era fraquíssima... e provou isto no campo, infelizmente para nós torcedores. Espero que tenham voltado mesmo num vôo da Varig; eles e a empresa bem que se merecem! :) Volte sempre.

11:00 PM  
Blogger Flávio said...

Gui, obrigado e volte sempre, sim; este espaço é nosso! Qt ao jogo, acho que estamos de acordo: a presunção fez esquecer a dedicação e assim não há talento que resista!

11:03 PM  
Blogger Flávio said...

Márcia, vai ser uma honra pra mim! Mas o pior é que a gente sempre acaba torcendo, né? ;) Independente do que esses merdas façam!... ;)

11:05 PM  
Blogger Flávio said...

Taí, anônimo: hoje eu tava pensando exatamente isso, e fui confirmar no banco de imagens do Google. São impressionantes a inércia e a cara de apatia do Parreira, inclusive durante os jogos; suficientes para acabar com um eventual resto de ânimo nos jogadores, se isso existisse.
Quem duvidar, vá ao Google e confira: a cara do Parreira dá um novo significado à expressão "picolé de chuchu"!

11:10 PM  
Blogger Flávio said...

Serbon, meus pêsames pelo plantão... mas também padeço desse mal, e às vezes é até pior: de repente, em plena madrugada! :)
Qt ao jogo, mano, o próprio Henry declarou que, por três vezes, a defesa brasileira se esqueceu dele e o deixou sem marcação; vai ver, pensaram que era um atacante como os nossos. E não é.
Qt à sua dúvida (aliás, bem válida!), o pior é que burra não foi apenas a linha, mas toda a seleção, a começar pelo técnico! :)
Qt à saudade do Felipão... tô, sim; eu e mais 180 milhões! ;)

11:19 PM  
Blogger Flávio said...

Serbon, dei uma confirmada agora, pelo vídeo do UOL: no lance do gol, o Roberto Carlos tava mesmo ajeitando a meia, literalmente; agachado, inclusive. Ou foi isso, ou tava dando uma cagadinha... o que, aliás, acabou fazendo; e das grandes! :(

11:47 PM  
Blogger Paulinho said...

Se o povo brasileiro cobrasse seus políticos como cobra os jogadores da seleção viveríamos na maior democracia do mundo.

8:47 AM  
Blogger Flávio said...

Paulinho, há outros pontos de semelhança: os que estão na seleção também ficaram ricos, trabalhando pouco! :) O que, aliás, me faz lembrar que vêm eleições por aí... ;)

9:47 AM  
Anonymous Serbon said...

vi depois o lance com mais atenção. foi cagadinha do RC mesmo.
falta de amor à camisa.
o Roberto carlos é mais mascarado que o Zorro.
e ainda achou ruim o protesto da galera lá na saída do hotel.
mas eu descobri o culpado.
foi o Émerson.
em 98, entrou no lugar do Romário e perdemos;
em 2002, quebrou o ombro catando no gol, foi cortado e ganhamos;
e este ano, foi titular.
é pé-frio!!!
ÉMERSON PÉ FRIO tem 13 letras!!!

1:23 PM  
Blogger Flávio said...

Taí, Serbon, de todas as provas que vc apresentou contra o Emerson, a mais convincente foi a das 13 letras.
Pelo menos, para o Zagalo... ;)

9:32 PM  

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