11.14.2006

O ODILON E O GETÚLIO


Como já disse a vocês, ganho a vida como marketeiro. E às vezes o trabalho (graças a Deus!) aumenta muito, tomando praticamente todo o meu tempo. Daí, fico sem poder postar ou, sequer, visitar os blogs dos amigos; aliás, uma de minhas atividades favoritas.

Mas sempre volto. E hoje, para comemorar mais um retorno, vou contar outro causo, como pediu o mano Serbon. Só que este não é de político; aconteceu quando eu trabalhava no Banco do Brasil, lá pelos idos (e bem idos!) de 1969.

Naquele tempo, o atendimento no banco era completamente diferente. Você chegava, entregava o documento e ficava em uma sala de espera, enquanto os funcionários faziam o processamento e passavam para o caixa; quando já havia uma quantidade razoável de documentos prontos no caixa, um funcionário ia à sala de espera e chamava os clientes que seriam atendidos naquela hora.

Em nossa agência, quem fazia esses chamados era o Odilon. Um contínuo, gente boa, mas muito “invocado”, como se diz aqui na Bahia. Mulato enorme e forte, usava um bigodão impressionante; não era dos mais inteligentes, mas lia bem e tinha a voz grossa, daquelas que parecem ecoar por todo canto. Por isto fora escolhido para fazer a chamada, trabalho que desempenhava com muito gosto, engrossando ainda mais a voz e falando o mais alto que podia. Ninguém ficava sem ouvir o Odilon, em toda a agência.

Machão e machista, o nosso herói fazia questão de apregoar isso aos quatro ventos, não admitindo qualquer brincadeira sobre a sua masculinidade; naquele tempo, aliás, essas brincadeiras não eram comuns, diga-se de passagem.

Uma segunda-feira, a agência estava lotada! Gente saindo pelo ladrão, a sala de espera apinhada, que não cabia mais ninguém, os clientes já reclamando. Eu acabara de colocar mais uma leva de documentos processados no caixa, quando o Getúlio, colega que fazia as listas para a leitura do Odilon, me chamou:

- Psiu! Vamos ver o Odilon ler essa lista!

- Tá doido, cara? Tou cheio de trabalho!

- Só um minuto. Pode acreditar que vale a pena. Vamos lá!

Fomos e ficamos por perto, fingindo beber água. Quando Odilon entrou na sala, fez-se um silêncio absoluto, cada cliente torcendo para ser chamado daquela vez. No silêncio, a voz do gigante era ainda mais impressionante:

- Antonio Souza da Cruz!

Lá se foi o Antonio para o caixa, com evidente expressão de alívio. Depois dele, outro cliente; e outro, e mais outro. Lá para o sexto nome, o Getúlio cochichou:


- É agora!

E a voz do Odilon trovejou:

- Jacinto Pinto Aquino Rego!

Ninguém apareceu. Surpreso, o Odilon olhou em volta. E repetiu a chamada, ainda mais alto:

- Jacinto Pinto Aquino Rego!

De repente, a ficha caiu. E a gargalhada, que começou não se sabe onde, tomou conta da sala, chamando a atenção de toda a agência. Como se dizia naquele tempo, era todo mundo rindo a bandeiras despregadas; só então, o Odilon percebeu. E olhou para trás, onde eu e Getúlio nos torcíamos de rir, encostados à parede. Do jeito que ele gritou, até parecia que continuava a chamada:

- Getúlio, filho da puta!


Acreditem: deu trabalho, pra segurar o Odilon.

57 Comments:

Anonymous Enoisa said...

Flavio, vc é um maravilhooooso contador de histórias!! morri de rir!! Bjs!

5:57 PM  
Blogger Vera Fróes said...

Flávio, isso não se faz!!! Rssss. Vc era aprontão, é???

Bjos.

6:44 PM  
Blogger Tina said...

Flávio: queria ser uma "mosquinha" só para ter visto/ouvido isso! Já trabalhei em banco, imagino a situação.

beijos querido, ótimo post!

8:55 PM  
Blogger Mary said...

Flavio em primeiro lugar quero agradecer pela visita e dizer que vc é uma pessoa muito sencivel e que presta atenção nas postagens dos blogs para depois comentar,pois de todos os que me visitaram vc foi o unico a perceber o sentido de minha postagem.
Obrigada!
Mais falando sobre a sua... Que garoto sapeca foi vc em? Coitado do seu amigo.rsssss
Mais que é gostoso isso é né? rssss
mais só quando é com os outros pois quando é com a gente,da vontade de matar quem aprontou.
Beijos meu lindo e bom feriado pra vc

9:17 PM  
Blogger Flávio said...

Vera, ainda sou até hoje! Mas nessa eu fui inocente, viu? A armação foi do Getúlio!... ;) Bjs

11:26 PM  
Blogger Flávio said...

Tina, então vc tem uma boa idéia da gozação! Agora, tenta transportar pra mentalidade de 1969... e imagina aí! :) Bjs

11:27 PM  
Blogger Flávio said...

Mary, na realidade, eu leio sim todos os posts que comento... não disse que é uma das minhas atividades favoritas? Por isto mesmo, só visito os blogs que me agradam! :) Qt ao lance do post... foi realmente gozadíssimo! :)Bjs, bom feriado!

11:30 PM  
Blogger Flávio said...

Enoísa, se vc riu... o objetivo foi atingido! :) Bjs, tks.

11:31 PM  
Blogger Jéssica said...

São quase 4 da matina e eu aqui feito boba rindo..rs... só vc mesmo...rs...
Bom feriado, carinhossssss

3:02 AM  
Blogger Mago said...

hehhe imagino o grandão tentando esmurrar o espetinho rssso povo alvotoçado numa agência bancária em 1969 puta sacanagem hauhauhau

4:39 AM  
Anonymous cilene said...

Eu acho suas historias perfeitas..parabens

6:44 AM  
Blogger Marcia said...

Hahahahaha

Sensacional esse causo! Eu já vi sacanearem os moleques mais novos no emprego pedindo pra ele ir buscar carbono com dupla face e etc, mas assim no meio dos clientes foi a primeira vez, hahaha

10:32 AM  
Anonymous marconi leal said...

(Gargalhadas) Morri de rir aqui, Flávio. Estas tuas histórias são muito boas. Abração.

2:34 PM  
Blogger Claudio said...

hahahahahaahha...... adorei !!!!!!

abração

3:06 PM  
Blogger Ricardo Rayol said...

ahahahahahah, hilária!!!!

4:07 PM  
Blogger Rita Contreiras said...

Flavinho, vc me fez lembrar meu pai, que também trabalhou no BB e era um contador de histórias pra ninguém botar defeito, além de curtir muito pegar os colegas com brincadeiras assim. Quando ele começava a contar uma história em casa, antes de saber o que viria, só pela expressão facial eu já estava chorando de rir.Muito bom! Hoje é o dia do riso, pelo menos do meu. Os amigos blogueiros estão cheios de humor e eu estou precisando disso como remédio. Mais uma vez, obrigada. Bjs.

5:04 PM  
Blogger Flávio said...

Jess, 4 da matina... e vc ainda acordada, menina?! Mas, pelo menos, tava rindo!... ;) Bjs

7:13 PM  
Blogger Flávio said...

Mago, pode apostar que foi mesmo! E engraçada pra caramba! :) Abração

7:13 PM  
Blogger Flávio said...

Cilene, sabe o que é mais engraçado? Elas realmente aconteceram! :) Tks, bjs

7:16 PM  
Blogger Flávio said...

Marconi, então eu tou vingado... esse é um efeito que o seu blog sempre provoca em mim! :) Abração

7:17 PM  
Blogger Flávio said...

Márcia, qualquer dia desses, vou contar aqui um ou dois dos trotes que levei na EsPCEx e no BB... vcs não vão acreditar! :)

7:18 PM  
Blogger Flávio said...

Cláudio, brigado. É bem no estilo do nosso JCF, né? Eu tb gosto! :) Abração

7:21 PM  
Blogger Flávio said...

Ricardo, é realmente hilária. Acho que só quem não gostou foi o Odilon! :) Abraço grande

7:21 PM  
Blogger Flávio said...

Rita, seu pai usava o "nome de guerra" de Contreiras, trabalhava na Ag. Centro Salvador, fazia muitas viagens de numerário e andava sempre com os bolsos cheios de balas (queimados), que distribuía com os colegas? Pq, se for o Contreiras que eu conheci... era realmente muito bom contador de histórias, além de excelente colega! :) No mais, espero que vc ria um bocado, viu? Vc merece! Bjs

7:26 PM  
Blogger Rita Contreiras said...

Flávio, esse sobrenome vem da família do meu pai, mas ele não o possuía. Chamava-se Cristovão Souza de Carvalho, mas por amar o sobrenome Contreiras e este fazer parte da sua família, colocou-o nos filhos.Era um Contreiras de direito, mas não de fato.Tenho muitas poesias dele aqui comigo, que prometi à minha mãe batalhar pra editar um livro. Era um sonho dele e agora o da minha mãe. Falar dele me enche de saudades. Bjs.

8:35 PM  
Anonymous Márcia(clarinha) said...

Dei risada de vocês, meu marido também é do BB e tem histórias fantásticas desse tempo...Ótimo ambiente de trabalho vocês tinham e colegas "gente fina" rsss.
linda noite querido
beijossssssss

9:08 PM  
Anonymous Serbon said...

o mais engraçado é que essa é velha, mas nem assim o Odilon se tocou! por aí vc vê como era verdade o que a gente aprontava com o coitado do Max Araújo na faculdade. nossa sorte é que o Max não tem o tamanho do Odilon...

9:30 PM  
Blogger Flávio said...

Rita, Cristovão Souza de Carvalho? Trabalhou em Amargosa (BA) e na ag. Centro?

9:31 PM  
Blogger Flávio said...

Clarinha, dê um abraço aí no maridão. Todo o pessoal do BB daquele tempo continua a me ser muito querido... era um ambiente maravilhoso, sim; como uma família! :) Bjs

9:34 PM  
Blogger Flávio said...

Serbon, mano, pelo que vcs contam, se o Max fosse igual ao Odilon... muito de vcs não se teriam formado; pelo menos, ilesos! :) E essa não era tão velha, naquela época... mas o Odilon era mesmo meio "casca grossa"! :) Abração

9:38 PM  
Anonymous Flavia Sereia said...

Nossa, morri de rir com o jacinto pinto aquino rego kkkkkk
É mas uma brincadeira dessas hoje em dia, pode custar o emprego de alguém. rs

bjs

10:34 PM  
Anonymous Anne said...

hahahah
pobre do odilon...
isso não se faz uai!

11:54 PM  
Blogger luma said...

kkkkkkkkkk Falta contar o triste fim do Getúlio!! Beijus

7:48 AM  
Blogger Paulinho said...

Nada como uma boa história bem contada. Dá um sopro de alegria no dia corrido da gente. Beijo.

9:26 AM  
Blogger Flávio said...

Xará, me fez lembrar uma amiga que, um dia desses, tava vendo a perereca subindo pelas paredes! :) Bjs

9:38 AM  
Blogger Flávio said...

Anne, não se faz... mas foi muito engraçado, viu? ;) Gostei do Love Memory... pena que não pude comentar por lá! Bjs

9:38 AM  
Blogger Flávio said...

Fica tranquila, Luma: a gente conseguiu segurar o Odilon. ;) Bjs

9:39 AM  
Blogger Flávio said...

Paulinho, qt mais que hj é uma quinta com gosto de segunda, né? :) Abração

9:40 AM  
Blogger Ana Shirley said...

huahuahua putz fiquei imaginando a cena, ele deve relamente ter soltado fogo pelas ventas! lembro-me da quantidade de nomes semelhantes e tão absurdos quanto esse q o prefessor de dt civil mostrava em um livro na sala de aula, antigamente até se corria o risco de haver mesmo um jacinto ... hauhauahua

9:56 AM  
Anonymous Serbon said...

Fla´vio, a gente empre perguntava pro Max: "que timeteu"? ele pensava, pensava e respondia:
"São Paulo!".

11:18 AM  
Blogger Flávio said...

Ana Shirley, vi um livro desses. Havia dois irmãos, chamados "Oceano Altântico" e "Oceano Pacífico". Era esse? :) Bjs

11:52 AM  
Blogger Flávio said...

Serbon, São Paulo?! Que cara "metido", né?! ;)

6:19 PM  
Blogger Rita Contreiras said...

Flávio,não acredito! Vc conheceu meu pai? É isso mesmo. Moramos em Amargosa, minha infância foi toda lá. Quero saber qual foi o seu nível de convivência com meu pai. Envie-me um e-mail pra me contar essa história.Bjs.

9:09 PM  
Blogger Jéssica said...

Legal o sistema bancário naquela época, né?
Vai tentar fazer isso hj...rs...
Beijo e linda sexta pra tu*.*

10:38 PM  
Blogger Flávio said...

Rita, trabalhei com seu pai em Amargosa e sempre tive a maior admiração por ele; conversavámos muito. Veja a história no e-mail que vc cita lá no La Loba. Bjs

11:07 PM  
Blogger Flávio said...

Jess, nesse trabalho das antigas, a gente demorava muito e ganhava pouco... mas era divertido! :) Bjs, bela sexta

11:09 PM  
Blogger Chris said...

hahahahha Adoro seus causos, sempre me divirto lendo-os. Muito bom! Principalmente pra mim, que adoro uma história engraçada.. rsrsrs

bom finde!Bjs

9:18 AM  
Blogger Cristiano Contreiras said...

Quer dizer então que conheceu o meu saudoso avô Cristovão?

que mundo fantástico!

2:01 PM  
Blogger Flávio said...

Chris, e essa, realmente, foi gozadíssima... pelo menos, ao vivo! :) Bjs, lindo fds

3:21 PM  
Blogger Flávio said...

Cristiano: conheci, sim. E acredite: é saudoso pra mim, tb! Abração

3:22 PM  
Anonymous Clara said...

rindo muuuuito... na verdade, entendi só na terceira vez que ele falou a frase.... mas posso imaginar a cara do Odilon....hahahaha

Beijo, querido.

3:31 PM  
Blogger Flávio said...

Clara, acredite: é muito menos arriscado imaginar, do que ter visto! :) Bjs

4:35 PM  
Blogger Laura said...

ótima história. Lá em C Frio tem um Jacinto Pinto, coitado... bj laura

10:26 AM  
Blogger Rita Contreiras said...

Precisamos agradecer ao Odilon e Getúlio pela participação especial nessa rede de coincidências! Enviei outro e-mail pra vc, mas depois disso minha mãe já me ligou, muito impressionada com tudo isso, e disse ter lembrado de vc, pois tinha um Flávio mais velho e um Flávio bem mais novo, do qual meu pai falava muito. A vida é bela, não? Bjs e ótimo sábado.

12:02 PM  
Blogger Flávio said...

Laura, é verdade? Só espero que o sobrenome do Jacinto Pinto não seja o mesmo... ;) Tks pelas remessas, bjs

12:55 AM  
Blogger Flávio said...

Rita, acho que eu deveria ser o Flávio mais novo, naquelas alturas... o Cristovão tinha alguns aninhos a mais que eu. Mas diga à mamãe que não se impressione; a vida é bela, sim! Sempre. Bjs :)

12:58 AM  
Anonymous Anônimo said...

Vai tomar no cu bando de filhos da puta.
hahhsuahushauhuahuahuha

2:04 PM  

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