2.12.2006

POR QUE NÃO DIZER A VERDADE?


Preto é preto, e branco é branco. Assim como vermelho é vermelho e azul é azul; mas não é a cor da pele que torna um homem superior ou inferior a outro.

Boiola é boiola, não é gay. Mesmo porque “gay” significa alegria, e não vejo que tipo de alegria pode existir em levar uma trolha. Mas cada um pode dispor do que é seu, como melhor lhe aprouver.

Puta é puta, e não “mulher de vida fácil”; a menos que alguém ache fácil ganhar a vida lambendo saco fedorento, ou levando porrada de bebum que, só porque pagou, acho que pode fazer o que quer com a mulher.

Idoso é idoso. A melhor idade é entre os 16 e 21 anos, quando nossos pais pagam todas as despesas e a gente só pensa em comer quantas puder, e aproveitar a vida; quando temos a saúde, o tesão, a agilidade e a irresponsabilidade da juventude.

Deficiente é deficiente; não é “pessoa com necessidades especiais”; todos nós temos necessidades especiais. Admitir que alguém é deficiente, faz com que a solidariedade cristã nos leve a tratá-lo melhor.

Anão é anão. Mesmo porque não tenho saco para contar aos meus netos a estória de “Branca de Neve e os Sete Prejudicados Verticalmente”. Nem pretendo sair chamando os magros de “prejudicados horizontalmente” e os gordos de “horizontalmente privilegiados”.

Em suma: acho uma grande frescura essa conversa de politicamente correto. Acho, mesmo, que é uma forma disfarçada (e perigosa) de discriminação. É como se a sociedade dissesse a alguém que deve se envergonhar por ser o que é, e por isso o chama de um nome diferente. Vocês entendem?

A mesma discriminação que vejo, nessa história de “quotas especiais” para as universidades e empregos públicos. É como dizer: já que os negros são mais burros, vamos ser justos e dar a eles um tratamento diferente, para equilibrar as chances.

Tudo isto é estupidez, é burrice, é discriminação! E, pior ainda, uma discriminação apoiada pelo governo, que não só criou a lei das quotas, mas ainda patrocinou a impressão daquela cartilha do politicamente correto, às custas dos nossos impostos.

Em vez de criar quotas, vamos melhorar o ensino público. Em vez de inventar o “afro descendente”, vamos educar o povo, para fazer entender que todos os homens são iguais. Vamos orientar os boiolas e as putas, para diminuir o perigo da AIDS.

Vamos apoiar mais os deficientes e fazer cumprir o Estatuto do Idoso; criar uma fiscalização que obrigue os filhos das putas mais jovens a ceder o lugar, nos coletivos, para os idosos que deles necessitam.

Vamos parar com essa frescura de “politicamente correto” e cumprir as nossas obrigações sociais. É assim que se constrói a cidadania!


(Ilustração: Paulinho Couto)

3 Comments:

Anonymous Anônimo said...

É Flávio, absolutamente correto esse texto. Imagina só, alguém conseguir entrar na faculdade só por ser de cor negra? Será que o grau de instrução e conhecimento já não valem mais nada? Politicamente correto seria um investimento mais efetivo nas escolas públicas, equiparação de conteúdos entre elas e as particulares, dar condições aos deficientes de transitarem nas ruas e coletivos, fazer valer as leis que existem no país. Num país que diz zelar tanto contra discriminação, acaba cometendo a maior delas; achar que os negros precisam ser potegidos por incapacidade intelectual: Isso sim é ABSURDO. Conheço muitos, que com o maior sacrifício estudaram e hoje são sumidades.
Valeu, Flávio! é preciso que tenhamos respeito uns com os outros, porque todos temos capacidade, apenas, precisamos de oportunidades de mostrá-la.

10:22 PM  
Blogger Flávio said...

Pois é. E o pior é que venho falando do absurdo dessa lei estúpida, desde antes da sua aprovação. O problema é que os nossos políticos querem votos, não resolver os problemas do país!

10:40 PM  
Anonymous Nathália said...

ola,
também acho que a verdade tem que ser dita!!

Porém discordo com 2 aspectos colocados no texto!

primeiro, na nossa sociedade a palavra deficiente já vem com um preconceito. Realmente as pessoas precisam se concientizar e tratar essas pessoas melhor. Mas o fato de serem chamadas de "pessoas com necessidades especiais" tem o objetivo de serem vistas, nao como pessoas incapazes, e sim como seres humanos que merecem respeito.

Outra coisa, eh sobre as cotas nas universidades. Não vou dizer que sou totalmente a favor, mas compreendo o princípio. As estatísticas comprovam que a maioria dos pobres são negros, e isso se deve à história, à escravidão. Essas cotas servem para dar oportunidade àqueles que não a tiveram e não a têm.

flw, valeu!

11:34 PM  

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